EDUCAFRO alerta para riscos simbólicos e institucionais na exposição de Ailton de Aquino, diretor do Banco Central

Em nota destacada pelo jornal O Globo, entidade questiona a personalização de decisões institucionais e a vulnerabilidade de lideranças negras em espaços de poder.


A Educafro Brasil, cumprindo sua missão de vigilância contra o racismo estrutural e institucional, manifestou-se preventivamente sobre a decisão de incluir Ailton de Aquino Santos, Diretor de Fiscalização do Banco Central, em uma acareação no âmbito do caso Master.

O posicionamento da entidade ganhou destaque neste domingo (29/12) na coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo. A preocupação central não é com a legalidade do ato jurídico, mas com a mensagem simbólica que se envia à sociedade quando o primeiro e único diretor negro da história do Banco Central é colocado em posição de equivalência visual a investigados, personalizando responsabilidades que deveriam ser institucionais.

Confira abaixo os principais trechos da matéria publicada pelo O Globo:

"A Educafro questionou a acareação determinada por Dias Toffoli no caso do Banco Master por incluir o único e primeiro diretor negro do Banco Central, Ailton de Aquino Santos. [...]

Em manifestação direcionada ao próprio Toffoli — e aos presidentes do STF e do BC, além do PGR —, a entidade destaca que a exposição pública de um diretor técnico, ainda que formalmente testemunhal, 'pode produzir, na sociedade afro-brasileira efeitos simbólicos relevantes e preocupantes, especialmente quando esse dirigente é colocado em posição processual visualmente equiparada a agentes privados, investigados'.

[...] O texto cita que o cuidado se torna ainda mais relevante pelo fato de o diretor de fiscalização do BC ser o primeiro negro a ocupar um cargo no alto escalão do banco, historicamente marcado pela baixa diversidade racial em seus postos de comando."

A matéria ainda destaca um trecho crucial da nota técnica da Educafro:

"A experiência histórica brasileira demonstra que, em contextos de crise institucional, há o risco de transferência de tensões sistêmicas para figuras individuais, frequentemente pertencentes a grupos historicamente sub-representados nos espaços de poder, enquanto instâncias superiores, brancas, permanecem resguardadas".


Leia a matéria na íntegra

Para conferir o texto completo publicado pelo colunista Rodrigo Castro no blog de Lauro Jardim, acesse o link oficial do jornal O Globo:

🔗 CLIQUE AQUI PARA LER NO O GLOBO


Contexto e Referências para Reflexão

Para aprofundar o entendimento sobre o posicionamento da Educafro neste caso, recomendamos a leitura dos seguintes temas e referências:

1. Racismo Institucional e a "Vidraça" O fenômeno em que profissionais negros, ao alcançarem posições de chefia, são submetidos a um escrutínio mais rigoroso e punitivo do que seus pares brancos é amplamente estudado.

  • Referência: Silvio Almeida em sua obra "Racismo Estrutural", onde discute como as instituições funcionam para perpetuar desigualdades, mesmo sem a intenção explícita de indivíduos específicos.

2. A Hipervisibilidade e a Solidão do Poder A presença de Ailton de Aquino como o único negro na diretoria do BC ilustra a falta de diversidade nos espaços de decisão econômica do Brasil. Quando uma crise ocorre, a figura negra tende a ser hipervisibilizada, servindo muitas vezes como "bode expiatório" para falhas sistêmicas.

  • Referência: O conceito de Pacto da Branquitude (estudado por Cida Bento), que protege lideranças brancas e preserva seus privilégios, enquanto expõe lideranças negras a riscos desproporcionais.

3. Governança e Despersonalização Decisões de órgãos como o Banco Central são colegiadas e técnicas. Personalizar a responsabilidade em um diretor específico — justamente aquele que rompeu a barreira racial — ignora a estrutura de governança estatal.


Apoie a Educafro: allmylinks.com/educafro


Da Oralidade Ancestral ao Shark Tank: Taís Baptista Emociona no Encontro Literário da Educafro

A sede da EDUCAFRO Brasil foi palco de um momento potente de reflexão e celebração durante o Encontro Literário Palavras Afirmativas 2025. Recebemos a autora, mestra e empresária Taís Baptista, que compartilhou sua "Jornada do Herói" — uma trajetória que transformou a dor da exclusão em potência criativa e sucesso empresarial.

O evento reafirmou o compromisso da Educafro em ser um quilombo moderno de cultura, literatura e ascensão social para o povo negro.

Do "Fim da Carreira" ao Renascimento

Read more


Vitória Histórica: STF Reconhece por Unanimidade o Racismo Estrutural e Exige Plano de Ação do Governo

O dia 18 de dezembro de 2025 ficará marcado na história da luta antirracista brasileira. Em uma decisão unânime, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu oficialmente a existência de racismo estrutural no Brasil e a ocorrência de violações graves e sistemáticas aos direitos da população negra.

Esta decisão não é apenas um reconhecimento jurídico; é a validação do grito que o Movimento Negro, a Educafro e tantas outras entidades vêm dando há séculos. O Estado brasileiro, enfim, admite que falhou.

O Que Foi Decidido

Read more


Esperança Garcia e a Revolução da Caneta: O Legado das Mulheres Negras no Direito Brasileiro

No dia 15 de dezembro, o Brasil celebra o Dia da Mulher Advogada Negra. Esta data não é apenas um marco no calendário; é o reconhecimento de uma luta secular pelo direito de defesa, de voz e de existência. A data homenageia Esperança Garcia, uma mulher que, muito antes de existirem faculdades de Direito no Brasil, utilizou a escrita como ferramenta jurídica para desafiar o sistema escravocrata.

Neste artigo, a Educafro Brasil resgata a memória dessa precursora e celebra as juristas negras que, hoje, ocupam tribunais, academias e defensorias, transformando o sistema de justiça brasileiro.

Read more


Anistia Não: EDUCAFRO Pressiona Moraes após Voto de Zanin e Denuncia Desvio de Verbas do Povo Negro por Partidos de Esquerda e Direita

A EDUCAFRO Brasil vem a público manifestar sua profunda indignação e susto com o cenário político atual. Enquanto entidade comprometida com a justiça social e a equidade racial, observamos um uso abusivo e hipócrita dos direitos do povo afro-brasileiro por parte das principais legendas partidárias do país.

A realidade nua e crua é que a população negra está encurralada entre dois descasos: a Direita, que além de não propor avanços, atua para cortar os poucos direitos conquistados; e a Esquerda, que, embora seja a única a fazer algo, não entrega sequer 10% do que o negro tem direito.

Nós somos 55% da população brasileira. Não aceitamos políticas de "boa intenção" mas de pouca abrangência. Queremos 100% dos nossos direitos efetivados. Fazer política séria não é dar migalhas.

A Traição das Verbas Eleitorais: PT em Segundo Lugar no Desvio

Read more


Da Cela à Cidadania: Um Plano de Emergência Contra o Encarceramento em Massa e Pela Ressocialização da População Negra

Não podemos mais aceitar o sistema prisional brasileiro como um "depósito de gente". Para a população negra, o cárcere não é apenas uma punição; é uma máquina de moer futuros, desestruturar famílias e perpetuar a pobreza. O diagnóstico já foi feito: vivemos um Estado de Coisas Inconstitucional. Agora, precisamos passar da denúncia para a ação tática.

Apresentamos abaixo uma estratégia para garantir que a lei saia do papel e que a dignidade negra seja respeitada, dentro e fora das grades.


1. O Mapa das Violações: O Que Está Sendo Quebrado?

Read more


UERJ e a Memória das Cotas: Uma Disputa entre a Lei e a Implementação

O Estado do Rio de Janeiro foi pioneiro na implementação de ações afirmativas no ensino superior brasileiro. No entanto, a construção dessa história não foi linear e nem pacífica. Existe hoje uma disputa sobre a memória e o marco temporal dessa conquista: devemos celebrar a legislação que criou o direito (2000/2001) ou apenas o momento em que a universidade finalmente aceitou aplicá-lo (2003)?

A Educafro Brasil defende que ignorar os anos de luta legislativa e a resistência institucional inicial é uma forma de apagamento histórico.

 

Read more


A Farda que Mata Tem Cor: O Estado Brasileiro Precisa Parar de Executar a Juventude Negra

Não estamos aqui para lamentar em silêncio. O luto, para o povo negro, sempre foi verbo de ação. Hoje, a Educafro Brasil convoca toda a sociedade, especialmente a juventude negra e as organizações de direitos humanos, para encarar de frente uma realidade que não é acidente, mas projeto: o genocídio institucionalizado praticado pelas forças de segurança do Estado.

Os dados recentes do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e relatórios de institutos independentes desenham um cenário de guerra onde o inimigo declarado é o corpo negro. Sob a justificativa do "combate ao crime", o Estado brasileiro arrogou para si um poder que não lhe pertence: o de julgar, condenar e executar a pena de morte nas vielas e periferias, sem tribunal, sem defesa e sem consequência.

O Mapa da Barbárie: São Paulo como Laboratório da Morte

O estado de São Paulo, sob a gestão de Tarcísio de Freitas e do secretário Guilherme Derrite, tornou-se o epicentro dessa escalada de violência. Os números são uma afronta à dignidade humana:

Read more


Do Grito das Ruas à Ação no Supremo: O Estado Brasileiro no Banco dos Réus pelo Genocídio de Mulheres Negras

Por uma advocacia de ruptura: quando a inércia estatal se converte em genocídio institucional


I. Introdução: O Levante das "Mulheres Vivas"

No último final de semana, o basta ecoou em todo o território nacional. Motivadas por uma sequência chocante de brutalidade, mulheres de todos os estados ocuparam as ruas no domingo, 7 de dezembro, sob o lema "Mulheres Vivas". Do vão do Masp em São Paulo ao Posto 5 em Copacabana, passando por Brasília, Manaus e Porto Alegre, o grito foi unificado: queremos viver.

Como alertou a deputada Sâmia Bonfim, uma das articuladoras do movimento: "Nós não aguentamos mais. Vimos casos atrás de casos de feminicídio, violência sexual, espancamento. Chega!".

A mobilização popular expôs a urgência. Agora, cabe à sociedade civil organizada transformar essa indignação em ação jurídica estrutural. O Brasil ultrapassou a marca de 1.000 feminicídios registrados em 2025, e a resposta do Estado não pode mais ser apenas retórica.


II. A Barbárie em Números e Nomes

Os atos do dia 7 de dezembro não ocorreram no vácuo. Eles foram uma resposta direta ao horror dos últimos dias, onde o Estado falhou em proteger vidas que pediam socorro. Em um intervalo de apenas 72 horas, o país assistiu atônito:

Read more