Guilherme Boulos construiu sua trajetória nas ruas de São Paulo, liderando o maior movimento de luta por moradia do país. Agora, sentado na cadeira de Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, o Brasil inteiro observa: será que a força das ruas vai conseguir transformar a burocracia de Brasília?

Nós, da EDUCAFRO Brasil, acreditamos que sim. Mas não vamos ficar apenas torcendo.

No dia 29 de janeiro de 2026, enviamos um documento histórico e estratégico ao Ministro. Não foi apenas uma carta de parabenização; foi um mapa do tesouro para que o Governo Lula finalmente tire a justiça social do papel e entregue Equidade Racial concreta.

O Motivo da Carta: Temos Leis, Falta Equidade na Prática

O Brasil tem um arcabouço jurídico robusto, incluindo o Estatuto da Igualdade Racial e a Lei de Cotas. O problema? Um déficit vergonhoso de execução.

Você sabia que, no magistério federal, a efetividade da lei de cotas foi de apenas 0,53%?. Isso significa que, para cada mil professores contratados, apenas cinco negros entraram via cotas. A carta foi escrita para dizer ao governo: chega de fingir que a lei sozinha garante equidade.

Por que Guilherme Boulos?

Boulos não é um burocrata qualquer. Ele foi escolhido para ser a ponte entre o Governo e os Movimentos Sociais. Sua pasta é o coração da “Democracia Participativa”.

Sabemos da importância que ele teve em São Paulo ao dar voz aos sem-teto. Agora, como Ministro, o Brasil espera que ele use essa mesma energia para ouvir a população negra e garantir que a equidade saia do discurso. A EDUCAFRO enxerga nele a peça-chave para reverter o distanciamento que setores do movimento negro vêm sentindo em relação ao Governo Federal.

O Que Exigimos? (O Conteúdo do Documento)

A carta apresenta 10 pontos cirúrgicos para mudar o jogo. Não pedimos favores, pedimos Equidade e Eficiência:

  1. Dignidade para a População de Rua (ADPF 976): Apoio expresso à decisão do STF que obriga o Estado a cuidar de quem vive na rua — uma pauta que Boulos conhece bem e que afeta desproporcionalmente o povo negro.
  2. Blindagem das Ações Afirmativas (ADPF 973): Que a AGU defenda as cotas com unhas e dentes como ferramentas de equidade contra os ataques da extrema-direita.
  3. Diplomacia com a Cara do Brasil: O Itamaraty não pode continuar sendo um espaço de privilégio branco. Exigimos equidade na representação de negros na carreira diplomática.
  4. O “CNU Docente”: A criação de um concurso nacional unificado para professores universitários, garantindo critérios objetivos que promovam a equidade real no acesso.
  5. Fim das Trapaças nos Concursos:

Fim dos Sorteios: Uma prática arcaica que viola a impessoalidade.

Fim do Fracionamento de Vagas: O truque de dividir vagas em editais pequenos para não aplicar a cota, destruindo a equidade do processo.

6 . Aceleração de Carreira: Não basta entrar; queremos equidade na ascensão aos cargos de liderança e decisão para negros e mulheres negras.

7. Federalização da Luta: Apenas 8,83% dos municípios brasileiros têm cotas. O Governo Federal precisa criar uma estratégia para levar a equidade a todo o território, usando o exemplo do Paraná.

8. Combate aos Retrocessos Estaduais: Enfrentamento direto às leis que tentam proibir cotas em estados como Santa Catarina, Espírito Santo e Goiás.

O Ultimatum: Um Encontro com o Futuro

A EDUCAFRO não enviou a carta e ficou esperando. Fizemos um convite formal (e político): queremos o Ministro Boulos conosco no dia 11 de março, em Brasília, para um encontro com pré-candidatos afro-brasileiros às eleições de 2026.

A presença dele será a prova de que o governo está pronto para dialogar não apenas com palavras, mas com compromissos reais de equidade para as próximas eleições.

 

📚 Bússola do Conhecimento: Amplie Sua Consciência

Para entender a profundidade das pautas que apresentamos ao Ministro, mergulhe nestas referências:

1. Para Entender a Urgência (Livros):

“Racismo Estrutural” – Silvio Almeida: Essencial para entender por que a “igualdade formal” (na lei) não gera “equidade real” (na vida) sem políticas específicas.

“O Genocídio do Negro Brasileiro” – Abdias do Nascimento: A base histórica que explica a necessidade de reparação.

2. O Cenário Jurídico (Leis e Decisões):

ADPF 186 (STF): A decisão histórica que validou as cotas raciais como instrumento de equidade.

Convenção Interamericana contra o Racismo: O tratado internacional citado na carta que obriga o Brasil a promover a equidade racial.

3. Cultura e Visão (Música e Vídeo):

Racionais MC’s – “Diário de um Detento”: Para entender a realidade de quem o Estado ignora.

Emicida – Documentário “AmarElo”: Uma aula sobre como a exclusão histórica opera e como a cultura negra resiste e constrói novos caminhos.

 

EDUCAFRO Brasil

Não esperamos o futuro. Nós o construímos com equidade.