Muitas vezes, quando entramos em um tribunal ou vemos notícias sobre justiça na TV, é difícil encontrar rostos que se pareçam com os nossos. Mas isso está mudando. E precisa mudar mais rápido.

Nesta semana, Brasília foi palco de um encontro histórico. Juízas e juízes negros de todo o Brasil se reuniram na casa de uma das cortes mais altas do país para dizer: “Nós existimos, estamos aqui e precisamos mudar a forma como a justiça trata o povo negro”.

Abaixo, reproduzimos a matéria do portal G1 que noticiou este evento, para que você entenda a importância do que está acontecendo.


A Notícia na Íntegra

Fonte: G1 / TV Globo – Por Filipe Matoso Data: 09/12/2025 Link Original: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2025/12/09/juizas-e-juizes-negros-debatem-racismo-no-judiciario-presidente-do-stj-pede-acoes-concretas.ghtml

Juízas e juízes negros debatem racismo no Judiciário; presidente do STJ pede ações ‘concretas’

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) sediou nesta terça-feira (9) em Brasília o Encontro Nacional de Juízes e Juízas Negras e o Fórum Nacional de Juízas e Juízes contra o Racismo, espaços que buscam discutir formas de enfrentar o racismo no sistema de Justiça brasileiro.

Com o tema “Vivências negras: Justiça, Identidade e Pertencimento no Sistema de Justiça”, o encontro propôs discussões sobre temas como:

  • Desafios para crianças e adolescentes negros;

  • Saúde física e mental da população negra;

  • Racismo ambiental;

  • Invisibilização da população negra.

Durante a abertura do encontro, o presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, pediu que, além de diagnósticos, encontros assim providenciem ações “concretas”. “A história, nós já sabemos. O desenho constitucional, nós conhecemos de sobra. As dificuldades, também. Então, estou interessado […] nas ações concretas. Quais são as ações concretas”, cobrou.

Presente ao evento, o juiz Fábio Esteves, homem preto e de origem humilde, entrou para a magistratura há 18 anos. Nascido em Mato Grosso do Sul, ele conta que decidiu se tornar juiz para ajudar a transformar o contexto social do país.

“Eu sou filho de uma típica família brasileira: família preta, pobre, do interior do país. Então, passamos por experiências de injustiças, e que ainda criança eu conseguia compreender aquilo. Meu pai era um homem extraordinário, minha mãe também, mas eu os via sempre numa posição subalterna. Eu acho que aquilo me estimulou a querer uma posição de poder, era até estranho pensar nisso, mas era aquilo que eu queria”, disse.

 


Traduzindo para a Nossa Realidade: O Que Isso Significa?

Sabemos que a linguagem jurídica às vezes é difícil. A Educafro explica os pontos principais dessa notícia para que todos entendam por que isso afeta a sua vida:

  1. O que é o Judiciário? É o poder que julga as leis. São os juízes, desembargadores e ministros. Eles decidem quem vai preso, quem tem direito a uma indenização, quem fica com a guarda dos filhos. Se não houver negros lá, quem julgará nossas causas muitas vezes não entende a nossa dor.

  2. O que é “Racismo Ambiental”? Você já notou que quando chove forte e tem enchente ou deslizamento, isso quase sempre acontece na favela ou na periferia, e raramente nos bairros ricos? Isso não é azar, é racismo ambiental. É quando o Estado escolhe deixar as áreas onde moram pretos e pobres sem estrutura, esgoto ou segurança, expondo nossa gente a doenças e tragédias. Os juízes negros estão discutindo como a lei pode punir isso.

  3. O que são “Ações Concretas”? O presidente do tribunal disse que “falar, a gente já falou”. Agora é hora de fazer. Ação concreta é, por exemplo: garantir cotas (reservas de vagas) para negros nos concursos de juiz; punir quem comete racismo com cadeia e não com cestas básicas; e garantir que a polícia não trate o jovem negro diferente do jovem branco.

  4. A História do Juiz Fábio Esteves O juiz Fábio é a prova de que é possível. Ele veio de família pobre, via os pais serem humilhados (“posição subalterna”) e decidiu que a caneta da justiça estaria na mão dele para mudar isso. Ele não aceitou que o lugar de negro é apenas servindo; ele quis o lugar de mandando e julgando.


Você Também Pode: O Caminho para a Carreira Jurídica

A Educafro Brasil existe para que tenhamos mais “Fábios” e “Fábias” nos tribunais. A carreira no Direito é uma das mais poderosas para combater o racismo.

Como se tornar um Juiz ou Advogado?

  1. Ensino Médio: Termine seus estudos. Se precisar, use o supletivo (EJA).

  2. Faculdade de Direito: O curso dura 5 anos.

    • Oportunidade: A Educafro luta por bolsas (Prouni) e cotas nas Universidades Públicas (Sisu). Procure nossos núcleos para se preparar para o ENEM.

  3. OAB (Ordem dos Advogados do Brasil): Depois da faculdade, faz-se uma prova para poder advogar.

  4. Concurso Público: Para ser juiz, promotor ou defensor público, você estuda para um concurso. Hoje, graças à nossa luta, existem cotas raciais de 30% nesses concursos!

Onde Estudar de Graça ou com Bolsa?

  • Pré-Vestibular Educafro: Procure o núcleo mais próximo ou nossas aulas online. Nós preparamos você para entrar na faculdade.

  • Cursos Livres Online: Plataformas como a FGV Online e Saberes do Senado oferecem cursos gratuitos de introdução ao Direito e Cidadania.

  • Youtube: Canais como “Prova Final” e “TV Justiça” têm aulas completas de graça.


Referências para Estudar e Entender Mais

Se você quer começar a entender seus direitos hoje, recomendamos:

  • Livro: “Pequeno Manual Antirracista” – Djamila Ribeiro. (É um livro fininho, barato e fácil de ler, que explica tudo sobre racismo).

  • Constituição Federal: Você pode baixar de graça na internet ou pedir um exemplar gratuito aos seus representantes políticos. Leia o Artigo 5º, que fala dos seus direitos fundamentais.

  • Filme: “A Justa Causa” (Just Mercy) – Baseado em fatos reais, mostra um advogado negro lutando para libertar um homem inocente condenado à morte. (Disponível em plataformas de streaming).

O recado final é: O juiz Fábio Esteves conseguiu. Nós queremos que você, seu filho ou sua filha sejam os próximos. A justiça só será justa quando tiver a nossa cor.

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