O Peso do Racismo na Saúde: Estudo revela como a desigualdade atinge a população negra

A saúde não é apenas o resultado de fatores biológicos; ela é profundamente moldada pelas condições sociais, econômicas e, no Brasil, raciais. Um novo estudo realizado em Uberlândia (MG) e divulgado pelo Nexo Jornal joga luz sobre uma realidade cruel: a desigualdade racial é um vetor de adoecimento.

Pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) analisaram uma década de dados (2011-2021) sobre doenças infecciosas e constataram que enfermidades historicamente ligadas à vulnerabilidade social afetam desproporcionalmente a população negra.

Tuberculose e Sífilis: O Retrato da Desigualdade

Os dados são alarmantes. No caso da tuberculose — uma doença intimamente ligada às condições de moradia e saneamento — e da sífilis gestacional — que reflete a qualidade do acesso ao pré-natal —, a população negra é a principal vítima.

Enquanto a população branca representou cerca de 34% dos casos de tuberculose, a população negra somou mais de 58%. Na sífilis em gestantes, o abismo é similar: 60,32% dos casos ocorreram em mulheres negras, contra 33,13% em brancas.

Esses números não são coincidência. Eles são o reflexo do racismo estrutural que empurra a população negra para áreas com menos infraestrutura e dificulta o acesso a serviços de saúde de qualidade, mesmo dentro do SUS.

Por que precisamos de dados com recorte racial?

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Justiça Feita: Maior Condenação por Fraude em Cotas Raciais Obriga Médica a Pagar R$ 720 Mil

A luta pela integridade das cotas raciais acaba de ganhar um precedente histórico. Em uma decisão inédita, uma médica foi condenada a pagar uma indenização de R$ 720 mil por fraudar o sistema de cotas da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).

Segundo a Educafro, esta é a maior indenização já imposta no país em um caso do gênero. O caso, noticiado pelo jornal O Globo, reforça que a fraude não compensa e que a vigilância do movimento negro é implacável.

O Caso: Da Fraude à Reparação

A médica ingressou no curso de Medicina em 2018 utilizando indevidamente as vagas reservadas a candidatos pretos, pardos e indígenas. A irregularidade foi descoberta em 2021, mas uma decisão judicial permitiu que ela concluísse o curso em fevereiro de 2024.

Agora, a justiça cobra a conta. A condenação não se limita ao valor financeiro, mas impõe medidas educativas e reparatórias diretas:

  1. Indenização Milionária: O valor de R$ 720 mil será pago em 100 parcelas a partir de janeiro de 2026.

  2. Destinação Social: Todo o montante será revertido para a própria Unirio, financiando bolsas de permanência para estudantes negros de Medicina e o curso de letramento racial da instituição.

  3. Reeducação: A médica terá que frequentar o curso de letramento racial da Unirio e entregar todos os trabalhos exigidos.

Um Marco na Luta Antirracista

Para a Educafro, este caso é um divisor de águas. Ele sinaliza que fraudar cotas não é apenas "furar uma fila", é um ato ilícito com consequências graves. O Ministério Público Federal acompanhará o cumprimento de todas as obrigações impostas.

Em um gesto simbólico de reconhecimento pela reparação, Frei David Santos, diretor da Educafro, anunciou que concederá um diploma à médica "pela correção do erro perante a Justiça". É a prova de que o objetivo da nossa luta não é a vingança, mas a justiça e a educação.

O Que Devemos Fazer?

Este caso não é isolado. Uma rápida busca revela dezenas de páginas com denúncias e processos por fraudes nas cotas.

A Educafro Brasil convoca toda a comunidade afro-brasileira organizada a refletir e agir: O que mais devemos fazer para blindar nossas conquistas e garantir que cada vaga chegue a quem tem direito?

Sua opinião e vigilância são fundamentais.


Quer saber mais e participar dessa luta?

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A Sombra de Willie Lynch: Por que Precisamos Falar Sobre a Estratégia de Dividir para Oprimir

Há feridas na história que não cicatrizam com o silêncio; elas exigem ser expostas, compreendidas e tratadas. Uma das mais profundas e persistentes cicatrizes na psique da população negra nas Américas é o legado simbólico da chamada "Carta de Willie Lynch".

Embora historiadores debatam a autenticidade documental da carta, o método descrito nela é uma realidade histórica inegável. O sistema escravista não se sustentou apenas com correntes de ferro; ele se manteve de pé através de uma engenharia social perversa desenhada para quebrar o espírito coletivo do nosso povo.

Quem foi Willie Lynch e o que ele Representa?

A narrativa histórica nos conta que Willie Lynch foi um proprietário de escravos no Caribe, conhecido por manter um controle absoluto e cruel sobre os negros escravizados. Acredita-se, inclusive, que o termo "linchar" (lynching) derive de seu sobrenome, eternizando sua ligação com a violência racial.Read more


EDUCAFRO Brasil leva mensagem de justiça racial e educação transformadora à Expo-Favela 2025

A Expo-Favela 2025, realizada em 29 de dezembro no Expo Center Norte, em São Paulo, reuniu milhares de visitantes e empreendedores em um dos maiores e mais significativos eventos do país dedicados à valorização dos talentos das favelas brasileiras. Reconhecida por destacar iniciativas de inovação, cultura, empreendedorismo e protagonismo social provenientes das periferias, a Expo-Favela tem se consolidado como um espaço essencial para a construção de oportunidades, estímulo à autonomia econômica e visibilidade nacional para projetos comunitários.

Neste cenário de potência e diversidade, o Frei David Santos, fundador da EDUCAFRO Brasil, participou como palestrante convidado, levando ao palco uma reflexão profunda sobre a luta histórica da população negra por direitos e dignidade. Em sua exposição, o Frei destacou a importância das políticas afirmativas como instrumentos essenciais de reparação e democratização do acesso a espaços de poder e educação. Recordou, ainda, a relevância da Convenção Interamericana contra o Racismo e Formas Correlatas de Intolerância, incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro em 2022 com força de emenda constitucional, ressaltando seu impacto no fortalecimento da proteção jurídica contra práticas discriminatórias no país.

 

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Guerreiro Ramos: O Intelectual que Ensinou o Brasil a Olhar para Si Mesmo e para a Branquitude

Muitas vezes, a história oficial tenta nos convencer de que o pensamento crítico sobre raça no Brasil é uma invenção recente. Nada poderia ser mais falso. Décadas antes de termos as palavras "branquitude" e "racismo estrutural" na ponta da língua, um homem negro, baiano de Santo Amaro da Purificação, já dissecava a alma do país com uma precisão cirúrgica. Seu nome era Alberto Guerreiro Ramos.

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19 Anos Depois, a Cobrança Chega: Educafro e OAB-RJ Processam Itaú em R$ 414 Milhões por Morte de Cliente Negro

imagem: arte gerada por AI generative – 24/11/2025 – com finalidade ilustrativa para a chamada do artigo de consolidação de publicações que repercutiram sobre o assunto

A memória do povo negro não prescreve. Dezenove anos após a execução brutal de Jonas Eduardo Santos de Souza dentro de uma agência bancária no Rio de Janeiro, a Educafro Brasil e a OAB-RJ deram um passo histórico para garantir que a impunidade não seja a palavra final desta tragédia.

Nesta semana, protocolamos uma Ação Civil Pública (ACP) exigindo que o banco Itaú pague uma indenização de R$ 414 milhões por danos morais coletivos decorrentes de racismo estrutural e institucional.

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O STF, a Política e a Cor do Poder: Por Que Insistimos no Jantar com Lula

imagem - arte desenvolvida com AI generica exclusivamente para ilustrar o artigo sem qualquer finalidade de reprodução 24/11/2025

A indicação de Jorge Messias para a vaga do Ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF), anunciada pelo Presidente Lula justamente no dia 20 de novembro — Dia da Consciência Negra —, gerou reações imediatas e profundas em todo o movimento negro brasileiro.

O mal-estar não passou despercebido pela grande mídia. Em matéria publicada na coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, a jornalista Pâmela Dias destacou a insatisfação e a pressão das entidades por um diálogo real antes da sabatina.

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Uma Fresta de Luz no Templo da Justiça: Educafro Recebe o Novo Desembargador Negro do TJ-SP

O "Almoço com Cidadania" da Educafro Brasil é, há anos, um espaço de aquilombamento, onde alimentamos o corpo, a alma e a estratégia da nossa luta. Esta semana, tivemos a honra de partilhar esta mesa com uma figura que representa a materialização de décadas de batalha: o recém-nomeado Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), Dr. Derly Barreto e Silva Filho.

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Amanhã é Dia de Batalha: O ENEM, o Abismo Racial e as Ferramentas para a Nossa Vitória

Neste momento, véspera do segundo dia de provas do ENEM 2025, o Brasil prende a respiração. Para milhões de jovens, especialmente para a juventude negra, este domingo, 16 de novembro, não é apenas um teste de biologia e matemática. É o dia de lutar pelo futuro, de carregar nos ombros o peso de um abismo histórico e a esperança de uma nação inteira.

Para nós, da Educafro Brasil, este é o momento de analisar a realidade nua e crua de quem mais luta pelo direito de sonhar. Os últimos dez anos foram de uma revolução silenciosa, mas incompleta. Se por um lado celebramos vitórias, por outro, os dados revelam as barreiras que o racismo estrutural insiste em manter.


A Década da Ocupação: O que Conquistamos

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